Qualquer lugar no amanhã, dezessete de setembro de dois mil e onze e alguns segundos.
Caro amigo Ondjaki,
Não lhe pedirei linceça para chamar-te de amigo. Certamente já somos, após sermos apresentados ao seus tão puros sentimentos para com os da sua rua. Emocionei-me com sua tamanha simplicidade e pureza da primeira à última sílaba.
Te escrevo do meu coração, exatamente naquele pedacinho das emoções mais fortes já sentidas por ele. Te escrevo pela minha gratidão.
Obrigado, eternamente. Obrigado!
Obrigado por ter ressuscitado minha pequena interior. Obrigado! Eu estava quase me esquecendo dela e me entregando ao exterminador mundo das gentes grandes...
Suas puras palavras fizeram com que eu compreendesse o sentimento da alegria. Digo-te isso porque pego-me tantas vezes buscando essa tal alegria em lugares tão inóspitos, quando de repente percebo que a alegria de uma criança não muda, não precisa de justificativa. Por que endurecemos assim quando vamos crescendo? Não sei e ainda não entendo. De qualquer forma ainda desejo para mim o riso espontâneo de uma criança feliz. E também o choro, porque não quero guardar mágoas e dores dentro de um peito. Mas sabe, lembrei-me também de muitas cenas da minha infância, na qual não fui nada mais que feliz, preocupando-me apenas com não me preocupar com nada. Lembrei-me de tanta coisa que essa realidade tinha afastado... Um dia, entrei escondida no quarto da minha avó e comecei a mexer em tudo o que pude naquela gigantesca prateleira de perfumes que ela tinha e ainda tem. Cheirei todos os aromas que pude, era um sonho da minha infância poder brincar com todos aqueles perfumes e essências. Foi o ápice da minha glória. Confesso que, mesmo depois de dezoito anos e um dente do siso, fiz isso novamente há umas semanas atrás. E o sentimento foi o mesmo. Exatamente o mesmo. Da adrenalina de ser pega e o orgulho de cumprir a missão. E a casa da minha avó ainda cheira à poeria e massa de pão.
Eu era feliz e não sabia. Sou feliz, mas não na perfeição que fui quando criança. Eu não precisava procurar pela felicidade. Ela vinha espontaneamente, com qualquer coisa e situação.
Quando pequenos, queremos crescer. Quando crescidos, queremos voltar a ser criança. É uma condição humana. Encantamo-nos pela liberdade dos adultos, mas na verdade a temos em nossas mãos quando crianças: somos livres para ser feliz, não importa seja lá o quê.
Obrigado por me lembrar da felicidade pura. Essa bruta, sem lapidar que surge de um riso.
Desejo que você jamais perca sua capacidade de rir e sonhar! Que nenhuma delas falte no seus caminhos, por mais tortuosos que sejam. Um grande abraço.
Sua amiga,
Maria E.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
domingo, 11 de setembro de 2011
Somniu
Eu ainda exagero nos sonhos
e acredito nas coisas impossíveis,
porque se eu acreditar na realidade
certamente enlouquecerei.
Ou já enlouqueci
em ainda acreditar
em um mundo irreal...
e acredito nas coisas impossíveis,
porque se eu acreditar na realidade
certamente enlouquecerei.
Ou já enlouqueci
em ainda acreditar
em um mundo irreal...
Cálice
Este é apenas um lembrete para mim e mais ninguém, porque cada um cuida do que é dito seu, mas enfim... Favor eu mesma lembrar a mim mesma de calar minha santíssima boca.
Sim!
Já dizia minha avó que boca fechada não entre mosquito (ou qualquer outro inseto de sua preferência, que seja). E é uma evidência da vida que a palavra lançada não volta atrás, mas nem que você a arraste. Que se conserve meu prazer pelo meu bom e velho silêncio de minha voz. Nada vi. Nada ouvi. E principalmente, nada falei. Apenas o silêncio de dentro da minha cabeça.
Sim!
Já dizia minha avó que boca fechada não entre mosquito (ou qualquer outro inseto de sua preferência, que seja). E é uma evidência da vida que a palavra lançada não volta atrás, mas nem que você a arraste. Que se conserve meu prazer pelo meu bom e velho silêncio de minha voz. Nada vi. Nada ouvi. E principalmente, nada falei. Apenas o silêncio de dentro da minha cabeça.
domingo, 28 de agosto de 2011
Um possível pedido de desculpas e/ou uma desculpa
Queria te pedir desculpas. Ou arranjar uma justificativa para a minha culpa. Quero mesmo é te explicar: eu nunca quis te magoar.
Você sabia que eu era confusão? Pois se você não sabia, fica aqui confirmado: “Encrenca” é o meu nome do meio. Eu não presto.
É que eu não sou uma pessoa muito fácil... Meu tipo de confusão não é aquele comum, de já chegar bêbeda no bar gritando pelo teu nome, quebrando garrafas de vidro na cabeça dos boêmios, com a meia de seda desfiada, a maquiagem borrada e um par de sapato na mão. Não. A minha confusão é a pior de todas: é aquela escondida, a que não se identifica logo de cara. Uma coisa meio “bonitinha, mas ordinária“.
Sou do tipo que faz as coisas sem pensar e depois se arrepende porque difícilmente dá certo. Sou impulsiva. Sempre vejo as conseqüências de forma que elas sejam favoráveis. Eu não tenho muita noção de perigo, nem muita vergonha na cara.
Outra coisa é que eu sou inconstante. Eu não tenho medo de mudar. Seja de roupa, seja de opinião. Adoro e me iludo com qualquer tipo de novidade para o meu cérebro. Falando nisso, ilusão é outro problema. Eu tenho uma facilidade para colocar as pessoas num altar santificado que só vendo! Eu acredito que todo o mundo é especial, é diferente, único e inigualável... E sou complacente também, o que nos faz retornar à impulsividade. Se eu fosse você, eu não confiaria muito em mim.
Mas eu jamais seria capaz de ser infiel a você, tanto que jamais o fiz. Muito pelo contrário, eu acreditei demais em você. E você fez o mesmo por mim, de forma que acreditássemos que eu, uma menina, seria capaz de te satisfazer como uma mulher. Por Deus, como você pôde?!
Você fez com que eu confiasse em mim, mesmo eu sabendo que jamais poderia te oferecer o que você desejava. Mas eu estava iludida, e conseqüentemente cega, surda e muda. Como negar?
Eu nunca te traí, mas tantas foram as vezes que eu traí a mim mesma. Sou rancorosa, ainda não consegui me perdoar.
Existe coisa pior nesse mundo do que trair a si mesmo?
Só ser traído.
Mas de qualquer forma, eu nunca quis ter te machucado. É que nem eu confio em mim, e a confusão por aqui é instaurada. Não tenho solução. Gosto de procurar problemas e quando não procuro eles vêm até mim, mesmo que eu não tenha nada a ver com eles, sendo eu apenas uma presença indispensável para que eles ocorram.
E agora não reclame de ter que ficar ouvindo a Amy dizer: “eu te disse que ela era encrenca, você sabe que ela não presta”.
Você sabia que eu era confusão? Pois se você não sabia, fica aqui confirmado: “Encrenca” é o meu nome do meio. Eu não presto.
É que eu não sou uma pessoa muito fácil... Meu tipo de confusão não é aquele comum, de já chegar bêbeda no bar gritando pelo teu nome, quebrando garrafas de vidro na cabeça dos boêmios, com a meia de seda desfiada, a maquiagem borrada e um par de sapato na mão. Não. A minha confusão é a pior de todas: é aquela escondida, a que não se identifica logo de cara. Uma coisa meio “bonitinha, mas ordinária“.
Sou do tipo que faz as coisas sem pensar e depois se arrepende porque difícilmente dá certo. Sou impulsiva. Sempre vejo as conseqüências de forma que elas sejam favoráveis. Eu não tenho muita noção de perigo, nem muita vergonha na cara.
Outra coisa é que eu sou inconstante. Eu não tenho medo de mudar. Seja de roupa, seja de opinião. Adoro e me iludo com qualquer tipo de novidade para o meu cérebro. Falando nisso, ilusão é outro problema. Eu tenho uma facilidade para colocar as pessoas num altar santificado que só vendo! Eu acredito que todo o mundo é especial, é diferente, único e inigualável... E sou complacente também, o que nos faz retornar à impulsividade. Se eu fosse você, eu não confiaria muito em mim.
Mas eu jamais seria capaz de ser infiel a você, tanto que jamais o fiz. Muito pelo contrário, eu acreditei demais em você. E você fez o mesmo por mim, de forma que acreditássemos que eu, uma menina, seria capaz de te satisfazer como uma mulher. Por Deus, como você pôde?!
Você fez com que eu confiasse em mim, mesmo eu sabendo que jamais poderia te oferecer o que você desejava. Mas eu estava iludida, e conseqüentemente cega, surda e muda. Como negar?
Eu nunca te traí, mas tantas foram as vezes que eu traí a mim mesma. Sou rancorosa, ainda não consegui me perdoar.
Existe coisa pior nesse mundo do que trair a si mesmo?
Só ser traído.
Mas de qualquer forma, eu nunca quis ter te machucado. É que nem eu confio em mim, e a confusão por aqui é instaurada. Não tenho solução. Gosto de procurar problemas e quando não procuro eles vêm até mim, mesmo que eu não tenha nada a ver com eles, sendo eu apenas uma presença indispensável para que eles ocorram.
E agora não reclame de ter que ficar ouvindo a Amy dizer: “eu te disse que ela era encrenca, você sabe que ela não presta”.
sábado, 20 de agosto de 2011
Freud, explique por favor:
Queria enlouquecer de verdade. Ter um diagnóstico de loucura pelo psiquiatra mais renomado. Ter delírios mesmo! Começar a falar com objetos inanimados, babar. Gritar bem alto, até sair correndo pelada pela rua. Pelo menos assim acho que não teria que me justificar tanto para os outros...
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Uma Imperfeição que é Perfeita
Tão perto,
Estávamos tão longe.
Agora,
Tão longe,
Estamos tão perto.
Somos, portanto,
Uma imperfeição que é perfeita.
Somos, assim
E enfim.
Por isso nada mais importa,
Somos, então,
Perfeitos.
Estávamos tão longe.
Agora,
Tão longe,
Estamos tão perto.
Somos, portanto,
Uma imperfeição que é perfeita.
Somos, assim
E enfim.
Por isso nada mais importa,
Somos, então,
Perfeitos.
Dente do Siso
Na parte inferior, mais especificamente do lado direito. Está desabrochando com uma rosa, mas sem pétalas, apenas espinhos.
Cacete! Tá doendo! Incômodo constante, mucosa inchada, com direito à dor de cabeça e tudo. Dói tanto assim pra ter juízo?
Dói.
Dói, porque não adianta, aprendemos na dor e tem que doer para aprender.
Tem que incomodar para entender, para voltar atrás e assumir o erro e pedir perdão para nós mesmo ao admitirmos a fatalidade. Nunca é fácil, o Orgulho não deixa pois medimos as conseqüências de formas que elas sejam favoráveis. Nos arriscamos demais. Por isso dói. Porque caímos nas nossas próprias armadilhas e a vida não facilita.
Não sei ainda se juízo é o fato de medir conseqüências ou apenas o fato de não repetir o mesmo erro depois de aprender com o risco. Mas não temos nós que nos arriscar e nos transgredir para nos tornarmos melhores, mesmo que seja para tomar uma decisão errada e aprender uma boa lição ou até mesmo para nos conhecermos melhor?
Nos arriscamos para aprender a viver.
O que é então o juízo e o que é viver? Vivemos, querendo ou não, pelo prazer do risco.
O risco é simplesmente perder o juízo por alguns minutos e se entregar a uma crença que nunca foi posta em prática, perder o medo, se entregar uma paixão, tentar recomeçar sob um novo ponto de vista. Seria então o juízo o ato e o fato de saber a hora certa de ousar?
Ainda não sei. Se for assim, eu ainda não tenho o mínimo juízo. Talvez se um dia eu tiver juízo em saber ou em responder... Em ousar responder...
O quanto eu terei de viver para isso?
Quem sabe eu pense duas vezes mais antes de agir com essa dor de dente. Não está sendo fácil também para o meu ciso ter de parir o meu juízo.
Quantos cisos, quantos riscos e quantas dores serão necessárias para eu aprender? Para eu aprender o quê? Vou parar de aprender depois que meu dente nascer?
Quantas vezes eu terei de nascer para aprender?
Não sei, não sei!
Só me lembre de ligar para o dentista para marcar uma consulta. Quem sabe ele possa me receitar um analgésico. Quem sabe ele tenha alguma resposta.
Cacete! Tá doendo! Incômodo constante, mucosa inchada, com direito à dor de cabeça e tudo. Dói tanto assim pra ter juízo?
Dói.
Dói, porque não adianta, aprendemos na dor e tem que doer para aprender.
Tem que incomodar para entender, para voltar atrás e assumir o erro e pedir perdão para nós mesmo ao admitirmos a fatalidade. Nunca é fácil, o Orgulho não deixa pois medimos as conseqüências de formas que elas sejam favoráveis. Nos arriscamos demais. Por isso dói. Porque caímos nas nossas próprias armadilhas e a vida não facilita.
Não sei ainda se juízo é o fato de medir conseqüências ou apenas o fato de não repetir o mesmo erro depois de aprender com o risco. Mas não temos nós que nos arriscar e nos transgredir para nos tornarmos melhores, mesmo que seja para tomar uma decisão errada e aprender uma boa lição ou até mesmo para nos conhecermos melhor?
Nos arriscamos para aprender a viver.
O que é então o juízo e o que é viver? Vivemos, querendo ou não, pelo prazer do risco.
O risco é simplesmente perder o juízo por alguns minutos e se entregar a uma crença que nunca foi posta em prática, perder o medo, se entregar uma paixão, tentar recomeçar sob um novo ponto de vista. Seria então o juízo o ato e o fato de saber a hora certa de ousar?
Ainda não sei. Se for assim, eu ainda não tenho o mínimo juízo. Talvez se um dia eu tiver juízo em saber ou em responder... Em ousar responder...
O quanto eu terei de viver para isso?
Quem sabe eu pense duas vezes mais antes de agir com essa dor de dente. Não está sendo fácil também para o meu ciso ter de parir o meu juízo.
Quantos cisos, quantos riscos e quantas dores serão necessárias para eu aprender? Para eu aprender o quê? Vou parar de aprender depois que meu dente nascer?
Quantas vezes eu terei de nascer para aprender?
Não sei, não sei!
Só me lembre de ligar para o dentista para marcar uma consulta. Quem sabe ele possa me receitar um analgésico. Quem sabe ele tenha alguma resposta.
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