-Mãe, a gente é rico?
-Não filha, a gente é louco.
-Mãe, por que a gente é louco?
-Porque a gente ainda acredita no Amor nesse mundo do jeito que tá...
-E tem problema ser louco, mãe?
-Claro que não, filha. É até melhor...
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
A pedra, o caminho e coisa e tal
Havia uma pedra no meio do caminho.
No meio do caminho havia uma pedra.
Parei.
Olhei.
Ela não se moveu.
E então continuei meu caminho.
No meio do caminho havia uma pedra.
Parei.
Olhei.
Ela não se moveu.
E então continuei meu caminho.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
A Eugênia
Eugênia não brinca em serviço não.
Eugênia sempre levanta logo que o despertador toca pela primeira vez. Alonga o pescoço e as pernas. E já se põe de pé. Arruma a cama logo em seguida.
Toma banho, toma o chá com mel, escova os dentes.
Sempre sabe que roupa vai colocar. Eugênia não é indecisa. Quando resolve não volta atrás e não admite ter que fazer isso quando necessário.
Eugênia sai de salto pela rua e não vira o pé. Não se machuca nem tem dores nos joelhos no final do dia. Caminha à passos largos e leves. Faça calor, faça frio. Chuva ou Sol.
Deseja "bom dia" para todos que encontra no corredor. E é um "bom dia" daqueles sinceros. Raridade!
Eugênia é constante. Não se abala por besteira. É equilibrada.
Fala pouco. Ouve mais do que fala.
Analisa antes de falar. Só abre a boca quando tem certeza absoluta.
Eugênia é inteligente além de esperta.
Eugênia é bonita além de inteligente e esperta.
Seu cabelo está sempre penteado, suas roupas sempre engomadas, os sapatos sempre lustrosos.
Não se deixa levar pelas emoções.
Eugênia só se emociona quando vai ao teatro. Ou ao cinema. Isso normalmente às sextas-feiras.
Eugênia quase voa!
Eugênia quer, Eugênia faz. É um trator. Quando quer descansar, vai carregar pedras. Escreve o relatório, a pauta, datilografa a carta, monta a planilha.
Disciplinada.
Chega o fim do dia e Eugênia não está cansada. Depois de um dia louco de trabalho, ela ainda sorri. Não tem dor nos pés, nem nas costas. Senta sempre na postura correta.
Volta pra casa. Sobe todos os oito lances de escada porque é mais saudável que o elevador, certamente.
Troca o salto por um chinelo confortável, não anda descalça no piso frio da sala.
Faz sua própria comida, com vegetais frescos. Sem agrotóxicos, todos orgânicos.
Mastiga em média trinta vezes antes de engolir.
Lava a louça em seguida. Pois é.
Admirável. Assiste ao Jornal Nacional. Toma outro banho rápido e veste a camisola de seda fresca.
Lê algumas páginas de um bom livro antes de se deitar.
Deita e dorme sem demora. Dorme sempre bem e nunca tem pesadelos. Insônia nem sabe do que se trata.
Eugênia dorme de sutiã.
Pergunto-me como ela consegue.
Eugênia, em que mundo você vive?
Seu reino não deste mundo, não é, Eugênia?
Porque, sinceramente, dormir de sutiã é impossível!
Eugênia sempre levanta logo que o despertador toca pela primeira vez. Alonga o pescoço e as pernas. E já se põe de pé. Arruma a cama logo em seguida.
Toma banho, toma o chá com mel, escova os dentes.
Sempre sabe que roupa vai colocar. Eugênia não é indecisa. Quando resolve não volta atrás e não admite ter que fazer isso quando necessário.
Eugênia sai de salto pela rua e não vira o pé. Não se machuca nem tem dores nos joelhos no final do dia. Caminha à passos largos e leves. Faça calor, faça frio. Chuva ou Sol.
Deseja "bom dia" para todos que encontra no corredor. E é um "bom dia" daqueles sinceros. Raridade!
Eugênia é constante. Não se abala por besteira. É equilibrada.
Fala pouco. Ouve mais do que fala.
Analisa antes de falar. Só abre a boca quando tem certeza absoluta.
Eugênia é inteligente além de esperta.
Eugênia é bonita além de inteligente e esperta.
Seu cabelo está sempre penteado, suas roupas sempre engomadas, os sapatos sempre lustrosos.
Não se deixa levar pelas emoções.
Eugênia só se emociona quando vai ao teatro. Ou ao cinema. Isso normalmente às sextas-feiras.
Eugênia quase voa!
Eugênia quer, Eugênia faz. É um trator. Quando quer descansar, vai carregar pedras. Escreve o relatório, a pauta, datilografa a carta, monta a planilha.
Disciplinada.
Chega o fim do dia e Eugênia não está cansada. Depois de um dia louco de trabalho, ela ainda sorri. Não tem dor nos pés, nem nas costas. Senta sempre na postura correta.
Volta pra casa. Sobe todos os oito lances de escada porque é mais saudável que o elevador, certamente.
Troca o salto por um chinelo confortável, não anda descalça no piso frio da sala.
Faz sua própria comida, com vegetais frescos. Sem agrotóxicos, todos orgânicos.
Mastiga em média trinta vezes antes de engolir.
Lava a louça em seguida. Pois é.
Admirável. Assiste ao Jornal Nacional. Toma outro banho rápido e veste a camisola de seda fresca.
Lê algumas páginas de um bom livro antes de se deitar.
Deita e dorme sem demora. Dorme sempre bem e nunca tem pesadelos. Insônia nem sabe do que se trata.
Eugênia dorme de sutiã.
Pergunto-me como ela consegue.
Eugênia, em que mundo você vive?
Seu reino não deste mundo, não é, Eugênia?
Porque, sinceramente, dormir de sutiã é impossível!
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Uma nova proposição sobre o sentido da vida:
A vida não tem sentido nenhum.
Só nos resta mesmo, Manuel, tocar um tango argentino.
Só nos resta mesmo, Manuel, tocar um tango argentino.
Com sua licença
Oi, dá licença?
Posso ir entrando na sua vida?
Não se preocupe, eu não vou reparar na bagunça não...
A minha também não anda "aquelas coisa" não...
Prometo que não vou atrapalhar.
Não trago muitas coisas na minha mala:
Quatro camisas xadrez,
Uma calça jeans,
Uma saia preta,
Um par de tênis e um de chinelo,
Muitos sonhos
E minha escova de dentes.
Eu não sou impertinente, não gosto de discutir.
Não bebo. Não fumo.
Não sou de fazer barulho.
E também choro bem baixinho. À noite, antes de dormir, de preferência.
Gosto de ouvir música.
Gosto de escrever poesia.
Gosto de bater a porta quando estou com raiva.
Mas, olha, não se preocupe.
Eu não quero ser incômodo.
Pode deixar que eu me viro. Sou de casa.
Só me diga onde você quer que eu guarde os copos
E onde eu devo jogar os cacos.
No armário eu só preciso de um espacinho.
Para as camisas e para os sonhos.
Gosto de deixar bilhetinho dizendo pra onde eu fui
Quando eu saio e você ainda dorme
No domingo de manhã.
Nem sou de acordar cedo.
Deus lhe pague por enquanto.
Posso ir entrando na sua vida?
Não se preocupe, eu não vou reparar na bagunça não...
A minha também não anda "aquelas coisa" não...
Prometo que não vou atrapalhar.
Não trago muitas coisas na minha mala:
Quatro camisas xadrez,
Uma calça jeans,
Uma saia preta,
Um par de tênis e um de chinelo,
Muitos sonhos
E minha escova de dentes.
Eu não sou impertinente, não gosto de discutir.
Não bebo. Não fumo.
Não sou de fazer barulho.
E também choro bem baixinho. À noite, antes de dormir, de preferência.
Gosto de ouvir música.
Gosto de escrever poesia.
Gosto de bater a porta quando estou com raiva.
Mas, olha, não se preocupe.
Eu não quero ser incômodo.
Pode deixar que eu me viro. Sou de casa.
Só me diga onde você quer que eu guarde os copos
E onde eu devo jogar os cacos.
No armário eu só preciso de um espacinho.
Para as camisas e para os sonhos.
Gosto de deixar bilhetinho dizendo pra onde eu fui
Quando eu saio e você ainda dorme
No domingo de manhã.
Nem sou de acordar cedo.
Deus lhe pague por enquanto.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Metafísica
Muitas vezes eu me pergunto como seria a vida se eu não existisse.
Passo bastante do meu tempo tentando imaginar essa situação. Gosto de imaginar como as coisas decorreriam sem mim. Como seria se eu não tivesse arrancado aquela flor do pé? O que seria daquela pedrinha que eu chutei se eu não a tivesse chutado? Gosto de pensar em todas as minhas ações e intervenções nas atitudes dos outros. E tudo isso se eu não existisse. Que rumo as coisas teriam tomado? E todo o caos que isso poderia ter sido causado sem a minha existência. Ou até mesmo toda a paz...
Quantos destinos eu mudaria sem a minha exisência?
Se nem uma partícula de mim estivesse aqui, o que seria da Humanidade?
Mas não me refiro apenas ao fato de ter nascido e estar vivendo. Gosto ainda de ir mais profundamente. O que seria do Universo sem a energia que me move?
Então questiono-me: serei eu essencial?
Como se comportariam as pessoas que me rodeiam se eu não as rodeasse?
Há um certo estalo em mim toda vez que tento entender o porquê de eu existir.
Haverá um momento marcado na minha vida em que eu, sendo marcada, vou marcar o destino de alguém? Quem?
E se eu não existisse?
Isso me mostra o quanto estamos interligados. Um ato meu afetaria um. E a consequência desse ato para esse um afetaria ele e outro. E esse outro afetaria ainda um outro por conta do que eu fiz.
Se eu não existisse nada disso aconteceria. Seja lá o que isso for...
Não é possível ser inconsequente.
O que quer que eu faça, direta ou indiretamente mudará o Destino.
O que quer que alguém faça mudará meu destino.
Não existe liberdade. Existem sim, escolhas. Liberdade de escolhas.
A pedra que rolou. A flor que eu roubei.
No fim, não consigo imaginar como tudo agiria se eu não estivesse aqui. Nada teria acontecido. As coisas tomariam outro rumo naturalmente e ponto. Certamente que seriam plenamente diferentes, mas estariam perfeitamente alinhadas de acordo com sua necessidade.
É interessante imaginar a inexistência existindo. Cria-se um vácuo. Um medo.
O Medo é a Inexistência. Eu tenho medo de deixar de existir. Tenho mesmo.
E então finalmente compreendo que o problema não é a inexistência. Não são os caminhos que poderiam ser tomados.
Mas sim os que estão sendo tomados.
Pensar é um ato, existir é um fato. Penso e logo existo.
O problema é esse então. Existir.
Existir é uma coisa muito séria.
Passo bastante do meu tempo tentando imaginar essa situação. Gosto de imaginar como as coisas decorreriam sem mim. Como seria se eu não tivesse arrancado aquela flor do pé? O que seria daquela pedrinha que eu chutei se eu não a tivesse chutado? Gosto de pensar em todas as minhas ações e intervenções nas atitudes dos outros. E tudo isso se eu não existisse. Que rumo as coisas teriam tomado? E todo o caos que isso poderia ter sido causado sem a minha existência. Ou até mesmo toda a paz...
Quantos destinos eu mudaria sem a minha exisência?
Se nem uma partícula de mim estivesse aqui, o que seria da Humanidade?
Mas não me refiro apenas ao fato de ter nascido e estar vivendo. Gosto ainda de ir mais profundamente. O que seria do Universo sem a energia que me move?
Então questiono-me: serei eu essencial?
Como se comportariam as pessoas que me rodeiam se eu não as rodeasse?
Há um certo estalo em mim toda vez que tento entender o porquê de eu existir.
Haverá um momento marcado na minha vida em que eu, sendo marcada, vou marcar o destino de alguém? Quem?
E se eu não existisse?
Isso me mostra o quanto estamos interligados. Um ato meu afetaria um. E a consequência desse ato para esse um afetaria ele e outro. E esse outro afetaria ainda um outro por conta do que eu fiz.
Se eu não existisse nada disso aconteceria. Seja lá o que isso for...
Não é possível ser inconsequente.
O que quer que eu faça, direta ou indiretamente mudará o Destino.
O que quer que alguém faça mudará meu destino.
Não existe liberdade. Existem sim, escolhas. Liberdade de escolhas.
A pedra que rolou. A flor que eu roubei.
No fim, não consigo imaginar como tudo agiria se eu não estivesse aqui. Nada teria acontecido. As coisas tomariam outro rumo naturalmente e ponto. Certamente que seriam plenamente diferentes, mas estariam perfeitamente alinhadas de acordo com sua necessidade.
É interessante imaginar a inexistência existindo. Cria-se um vácuo. Um medo.
O Medo é a Inexistência. Eu tenho medo de deixar de existir. Tenho mesmo.
E então finalmente compreendo que o problema não é a inexistência. Não são os caminhos que poderiam ser tomados.
Mas sim os que estão sendo tomados.
Pensar é um ato, existir é um fato. Penso e logo existo.
O problema é esse então. Existir.
Existir é uma coisa muito séria.
domingo, 8 de janeiro de 2012
O paradoxo do começo da vida
Sinto que as coisas dependem de mim para acontecer.
Mas eu não sei o que fazer com elas.
Eu, na verdade, não sei nem o que fazer comigo.
Mas eu não sei o que fazer com elas.
Eu, na verdade, não sei nem o que fazer comigo.
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