Nada como uma fim de tarde de quarta-feira
com uma chuva gélida caindo nas costas.
Já não basta ter esquecido o guarda-chuva em casa,
o grande ônibus precisa passar pela poça d'água na sarjeta
e me molhar inteiro...
quarta-feira, 12 de junho de 2013
terça-feira, 9 de abril de 2013
Sentimento do mundo grande
(em homenagem à Drummond)
Cheguei aqui tendo apenas duas mãos
e o sentimento do mundo.
O mundo meu.
Mas hoje, ainda aqui,
vejo que o mundo não é meu,
não, meu coração não é maior que o mundo,
É muito menor.
E eu preciso de alguém
para ir de mãos dadas.
Cheguei aqui tendo apenas duas mãos
e o sentimento do mundo.
O mundo meu.
Mas hoje, ainda aqui,
vejo que o mundo não é meu,
não, meu coração não é maior que o mundo,
É muito menor.
E eu preciso de alguém
para ir de mãos dadas.
A tempestade
Os trovões dão o tom de fúria em descompasso. A chuva dança com força com o vento.
Me tomo de medo e de uma alegria súbita. Tempestades me assustam e me encantam, são monstros adormecidos que violentamente vão acordando.
Sem eletricidade, apenas os relâmpagos iluminam-me numa fração de segundo.
Ela solta seus raios e trovões. Quero estar lá fora, sentindo-a. Mas sinto medo, muito medo.
Os rebentos ribombam dentro do meu peito. Ela vai nascendo aos poucos dentro de mim. Ela cresce no âmago. Amo-a e temo-a. Respeito. É uma divindade, não se pode compreendê-la como benigna ou maligna. Ela existe e só o que me resta é resignar-me à seu poder.
Sinto-me viva. Paro para observa-la e escutar tudo o que ela tem a dizer.
Ela é poderosa assim porque é inesperada, o que faz dela um ser extremamente autêntico. É o seu repente que a faz grandiosa: rapidamente forma-se, rapidamente acontece e mais rapidamente ainda vai embora.
Deixa sua marca e seus restos, não se sabe se é raiva ou piedade. Às vezes acho que ela é tão sábia causando toda a destruição para que possamos então nos reconstruir melhores e mais fortes.
A tempestade impõe-nos respeito e mérito: qualquer um que saia ileso à ela é considerado herói por seus próprios méritos, pois já mostra-se um ser forte por natureza.
As suas gotas arrebentam nos vidros, estralam e param por uma fração de segundo. Escorrem e derretem-se lentamente. E então, tudo vira uma pintura Impressionista no lado de fora do vidro para quem vê do lado de dentro. Arte da Natureza e tudo se desvirtua do caminho inicial.
O traço da gota que escorre lentamente pelo vidro e eventualmente tem seu caminho delicado desviado pelo vento violento e entorta-se possuído pela falta de controle sobre si.
Tudo se desvirtua do seu caminho e tudo se molha, derrete e se desfaz. Toda linha reta fica torta à seu sadismo.
Mesmo estando protegida, sinto-me desamparada durante uma tempestade. Tudo ao redor silencia-se em suas próprias coragens egoístas. Tudo ao redor silencia-se para ouvi-la e para tentar se proteger e se esconder dela.
Mais um trovão bate no infinito e o rompe. Onde é que seu eco vai parar?
Quando é que ela vai parar?
Não, eu não posso controla-la. Não posso controlar o infinito.
Não posso sequer me controlar...
Me tomo de medo e de uma alegria súbita. Tempestades me assustam e me encantam, são monstros adormecidos que violentamente vão acordando.
Sem eletricidade, apenas os relâmpagos iluminam-me numa fração de segundo.
Ela solta seus raios e trovões. Quero estar lá fora, sentindo-a. Mas sinto medo, muito medo.
Os rebentos ribombam dentro do meu peito. Ela vai nascendo aos poucos dentro de mim. Ela cresce no âmago. Amo-a e temo-a. Respeito. É uma divindade, não se pode compreendê-la como benigna ou maligna. Ela existe e só o que me resta é resignar-me à seu poder.
Sinto-me viva. Paro para observa-la e escutar tudo o que ela tem a dizer.
Ela é poderosa assim porque é inesperada, o que faz dela um ser extremamente autêntico. É o seu repente que a faz grandiosa: rapidamente forma-se, rapidamente acontece e mais rapidamente ainda vai embora.
Deixa sua marca e seus restos, não se sabe se é raiva ou piedade. Às vezes acho que ela é tão sábia causando toda a destruição para que possamos então nos reconstruir melhores e mais fortes.
A tempestade impõe-nos respeito e mérito: qualquer um que saia ileso à ela é considerado herói por seus próprios méritos, pois já mostra-se um ser forte por natureza.
As suas gotas arrebentam nos vidros, estralam e param por uma fração de segundo. Escorrem e derretem-se lentamente. E então, tudo vira uma pintura Impressionista no lado de fora do vidro para quem vê do lado de dentro. Arte da Natureza e tudo se desvirtua do caminho inicial.
O traço da gota que escorre lentamente pelo vidro e eventualmente tem seu caminho delicado desviado pelo vento violento e entorta-se possuído pela falta de controle sobre si.
Tudo se desvirtua do seu caminho e tudo se molha, derrete e se desfaz. Toda linha reta fica torta à seu sadismo.
Mesmo estando protegida, sinto-me desamparada durante uma tempestade. Tudo ao redor silencia-se em suas próprias coragens egoístas. Tudo ao redor silencia-se para ouvi-la e para tentar se proteger e se esconder dela.
Mais um trovão bate no infinito e o rompe. Onde é que seu eco vai parar?
Quando é que ela vai parar?
Não, eu não posso controla-la. Não posso controlar o infinito.
Não posso sequer me controlar...
domingo, 3 de março de 2013
Certeza
Eu sei que a dúvida é consequência da surpresa,
ainda mais num momento de não tão belos detalhes em riqueza...
Mas deixe de lado essa falta de beleza,
com seus dedos cheios de magreza
pegue minha mão com leveza.
Sua respiração que se move com delicadeza,
e com essas suas pernas com falta de firmeza
venha até mim apenas com uma certa moleza,
neste momento não há porque se fazer de frieza,
esconda toda a vida e toda a dureza
esqueça toda a pobreza
com seu sorriso de alegria acesa.
Sei que você sentiu o mesmo em tamanha profundeza.
Venha pra cá com toda sua miudeza.
Na forma de sutileza,
traga-me sua pureza
e seu coração com sua ainda não-descoberta nobreza,
deixa eu ser sua fortaleza,
deixa eu afastar sua tristeza,
deixa eu mostrar sua grandeza.
Vejo-nos para sempre com tanta clareza,
e mesmo que isso cause tanta estranheza,
apesar daquele momento ter sido de tanta breveza
te prometo realizar uma grande proeza:
deixe eu ser apenas, nada a mais e nada a menos, que sua certeza.
ainda mais num momento de não tão belos detalhes em riqueza...
Mas deixe de lado essa falta de beleza,
com seus dedos cheios de magreza
pegue minha mão com leveza.
Sua respiração que se move com delicadeza,
e com essas suas pernas com falta de firmeza
venha até mim apenas com uma certa moleza,
neste momento não há porque se fazer de frieza,
esconda toda a vida e toda a dureza
esqueça toda a pobreza
com seu sorriso de alegria acesa.
Sei que você sentiu o mesmo em tamanha profundeza.
Venha pra cá com toda sua miudeza.
Na forma de sutileza,
traga-me sua pureza
e seu coração com sua ainda não-descoberta nobreza,
deixa eu ser sua fortaleza,
deixa eu afastar sua tristeza,
deixa eu mostrar sua grandeza.
Vejo-nos para sempre com tanta clareza,
e mesmo que isso cause tanta estranheza,
apesar daquele momento ter sido de tanta breveza
te prometo realizar uma grande proeza:
deixe eu ser apenas, nada a mais e nada a menos, que sua certeza.
sábado, 23 de fevereiro de 2013
Árvore genealógica
Se meu bisavô não tivesse vindo da Áustria para cá,
que não via necessidade em tomar banho todo o dia porque não era 'luxento',
ele então não conheceria minha bisavó aqui no Brasil,
e eles não teriam tido meu avô como filho.
E se meu avô não tivesse desistido de ficar com suas cinco namoradas,
para ficar com a sexta que era a minha avó,
ela não teria vindo de São Paulo para o interior para viver com ele,
quando lhe enviou uma carta dizendo que 'casar-se-ia' com ela.
Isso porque ele ainda a amava,
mesmo depois de ela ter recusado um beijo dele dentro do carro na porta de casa.
Se isso não tivesse acontecido,
minha avó teria se formado.
Se eles não tivessem se conhecido, minha mãe não teria nascido...
Se minha bisavó Clélia não tivesse querido ter seu filho,
mesmo ele não sendo legítimo por parte de pai,
mas nada disso ocorreria se meu bisavô não tivesse vindo da Itália,
Meu avô não teria existido.
E ele não teria conhecido minha avó,
e meu pai e meus tios não teriam existido.
E se eles não tivessem rodado por
Presidente Wenceslau, Tatuí, Cruzeiro e provavelmente algumas outras cidades
pra voltar pro interior no fim das contas,
meu pai não teria voltado pra lá depois de ter se divorciado da sua primeira esposa.
Se meu avô materno não tivesse deixado minha mãe ir morar em São Paulo quando ela fez dezoito anos,
se ela não tivesse feito faculdade,
se ela não tivesse acabando de morar sozinha,
e não poder arcar com o aluguel
e ter que voltar também para o interior,
ela não teria encontrado meu pai.
E se eles não tivessem se encontrado,
eles não teriam ficado juntos
e
no fim das contas, pra resumir a história,
eu, infelizmente, não existiria...
que não via necessidade em tomar banho todo o dia porque não era 'luxento',
ele então não conheceria minha bisavó aqui no Brasil,
e eles não teriam tido meu avô como filho.
E se meu avô não tivesse desistido de ficar com suas cinco namoradas,
para ficar com a sexta que era a minha avó,
ela não teria vindo de São Paulo para o interior para viver com ele,
quando lhe enviou uma carta dizendo que 'casar-se-ia' com ela.
Isso porque ele ainda a amava,
mesmo depois de ela ter recusado um beijo dele dentro do carro na porta de casa.
Se isso não tivesse acontecido,
minha avó teria se formado.
Se eles não tivessem se conhecido, minha mãe não teria nascido...
Se minha bisavó Clélia não tivesse querido ter seu filho,
mesmo ele não sendo legítimo por parte de pai,
mas nada disso ocorreria se meu bisavô não tivesse vindo da Itália,
Meu avô não teria existido.
E ele não teria conhecido minha avó,
e meu pai e meus tios não teriam existido.
E se eles não tivessem rodado por
Presidente Wenceslau, Tatuí, Cruzeiro e provavelmente algumas outras cidades
pra voltar pro interior no fim das contas,
meu pai não teria voltado pra lá depois de ter se divorciado da sua primeira esposa.
Se meu avô materno não tivesse deixado minha mãe ir morar em São Paulo quando ela fez dezoito anos,
se ela não tivesse feito faculdade,
se ela não tivesse acabando de morar sozinha,
e não poder arcar com o aluguel
e ter que voltar também para o interior,
ela não teria encontrado meu pai.
E se eles não tivessem se encontrado,
eles não teriam ficado juntos
e
no fim das contas, pra resumir a história,
eu, infelizmente, não existiria...
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Resignação
do Michaelis:
resignação
re.sig.na.ção
sf (resignar+ção) 1) Ato ou efeito de resignar ou resignar-se. 2) Cedência voluntária. 3) Demissão voluntária da graça recebida ou do cargo exercido; renúncia. 4) Sujeição paciente às amarguras da vida; conformação com a dor física ou moral; paciência no sofrimento.
de uma livre interpretação:
aceitação com o coração, no coração, não apenas pelo que a lógica e a racionalidade oferecem.
o mais difícil.
a grande prova de confiança e fé naquilo que está ocorrendo é para um Bem Maior que se dará num futuro.
resignação
re.sig.na.ção
sf (resignar+ção) 1) Ato ou efeito de resignar ou resignar-se. 2) Cedência voluntária. 3) Demissão voluntária da graça recebida ou do cargo exercido; renúncia. 4) Sujeição paciente às amarguras da vida; conformação com a dor física ou moral; paciência no sofrimento.
de uma livre interpretação:
aceitação com o coração, no coração, não apenas pelo que a lógica e a racionalidade oferecem.
o mais difícil.
a grande prova de confiança e fé naquilo que está ocorrendo é para um Bem Maior que se dará num futuro.
A condição humana
Não, isso não é consolo. Mesmo parecendo desumano, a dor é de nossa condição humana.
Ela precisa ser sentida para que possamos apreciar o alívio em toda sua plenitude.
Assim como o medo, caros humanos. Sentimo-lo em momentos que sentimo-nos ameaçados.
O medo é nossa proteção. É a guarda para que minimizemos as besteiras que costumamos fazer. Típico também da condição humana.
Tão típico de nós...
Ela precisa ser sentida para que possamos apreciar o alívio em toda sua plenitude.
Assim como o medo, caros humanos. Sentimo-lo em momentos que sentimo-nos ameaçados.
O medo é nossa proteção. É a guarda para que minimizemos as besteiras que costumamos fazer. Típico também da condição humana.
Tão típico de nós...
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